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O embarque

30 junho, 2015 • By

E é isto ai.

Depois de meses de planejamento, corrida por documentos, despedidas e mais despedidas, finalmente chegou a hora. O ultimo movimento no tabuleiro.

Hoje estou indo embora.

Queria fazer com que este blog não fosse algo muito pessoal, a ideia era ser um aglomerado de dicas sobre como é o processo de deixar o Brasil para viver na Inglaterra.

Aqui vai uma dica. Na hora de embarcar, tudo que vem a tona é pessoal, é emocional.

Quem me trouxe ao aeroporto foram meus pais.

Chegamos cedo para evitar o amaldiçoado trânsito paulista.

Fomos fazendo os últimos passos sem pressa. Primeiro o desembarque das malas, depois trocar algum dinheiro por libras, um jantar e por último um café.

Passei a semana toda no modo retardado, sem insonia, sem ansieade para a grande mudança, mas estes últimos momentos com meus pais veio tudo a tona.

No momento que entrei no saguão do aeroporto minhas entranhas parecem ter ganhando 1 tonelada. Estava pesado, aflito, com algo que não sei dizer em palavras, mas queria passar a maior quantidade de tempo possível com os dois. Queria que cada segundo vale-se a pena, que cada segundo eu leva-se na minha bagagem de mão.

Sei que a tecnologia nos permite nos comunicarmos com muita facilidade, sei que são somente 12 horas de distância, mas todos estes argumentos não foram válidos para eu me sentir como uma criança medrosa em uma fila da montanha russa no pequeno trajeto até o portão de desembarque com meus pais.

O momento chegou. Dei um abraço apertado na minha mãe. Depois outro no meu pai. Estava indo embora e tive que voltar, aquele abraço não foi suficiente, meu coração pedia mais. Um segundo abraço apertado na minha mãe e tudo cedeu. Chorei.

Depois abraço meu pai do novo. O homem calvo de 35 anos vira criança de colo novamente.

Queria ficar lá com os dois, sem a necessidade de virar as costas. Mas decisões foram tomadas. A roda viva continua girando e levando a roseira pra lá.

Agora estou no limbo. Atrás de mim se encontra pessoas especias, o conforto da rotina segura e memórias. Na minha frente minha esposa, minha quadrúpede malhada e novos desafios.

Tchau a todos.

Desculpa, tenho que embarcar. Sem tempo para revisão.