Fatos

Curry

11 agosto, 2015 • By

Hoje minha paciência não foi somente testada. Ela foi torturada, assassinada e depois ainda dançaram frevo em cima do seu túmulo.

Já trabalhei com diversas pessoas estranhas na minha vida. Pessoas que dançavam Rap e insistiam que sua mesa deveria fazer parte do repertorio. Figuras que quase deitavam em sua mesa para passar uma informção, mas com o que estou tendo com que lidar agora supera tudo e a todos.

Este personagem é um indiano. Até ai normal. Existem mais dois indianos no ambiente e todos somos um grande time. Mas este em especial tem superpoderes.

Não importa a hora, ele sempre emana este cheiro de curry. Ele chega as 9 da manha já perfumado na pimenta. Pensei que ele tomava todynho sabor Curry pela manha.

Minha imaginação foi alem. Assim como Obelix caiu em uma poção quando era neném, este meu colega deveria ter compartilhado um destino semelhante e ter passado toda sua infância em banho maria em um caldo de curry.

Minha teoria final é mais ambiciosa. O curry é feito dele.

Enfim. Ele senta do meu lado.

Até ai quase nada demais, quase…

O problema é que esse meu novo amiguinho tem um hábito um pouco peculiar. Ele arrota.

Sim, ele arrota na cara larga. Tá nem ai.

Não é daqueles arrotos altos de coca cola. É daqueles que você houve o gás venenoso subindo pelo esófago que faz tanta pressão, que a boca solta um pequeno rugido como “eu me rendo”.

Pois bem. Meu amigo é uma mitológica criatura, o dragão de curry. Digno de uma vaga nos Avengers.

O computador do mega curry estava quebrado. Adivinha quem ele decide ficar do lado para “ajudar”.

Sim, o brazucão pagou o pato.

No momento que ele chegou perto, meu foco no trabalho se perdeu por completo. Parece que curry é a criptonita para meu raciocínio lógico.

Assim como eu, vocês devem ter questionado. Será que meu amiguinho iria ter a coragem de arrotar a queima roupa?

Sim. Ele teve.

Assim que o primeiro arroto surgiu pela sua traqueias não aguentei. Depois de 1 minuto tentando assimilar o que estava se passando, peguei meu celular e sai da sala.

Estava transtornado. Como? Como pode ser tão sem noção.

Enrolei o quanto eu pude até voltar para minha sala de tortura.

Mal sentei e já veio outra labareda de gases traqueais. Era ainda 10:30 da manha. Tive que juntar forças para poder sobreviver até o almoço. Neste meio tempo fiquei arrastando janelas pela tela e abrindo e fechando arquivos randomicamente. Era o máximo que meu cérebro podia processar sofre tal efeito.

Chegou o almoço. Finalmente !!!

Não joguei pingue pongue como habitualmente eu faço. Voltei para a sala mais cedo para tentar construir um banker anti Curry.

Peguei seu caderno e afastei do meu lado. No lugar joguei tudo que podia encontrar. Agasalho, mochila, papel, pote de marmita… Para uma extra proteção coloquei um gaveteiro do meu lado, como uma cerca.

Estava intocável.

O almoço acabou. Todos voltam a trabalhar.

Observo o predador pelo canto do olho. Ele está analisando que raios aquele gabinete está fazendo lá.

Ele se levanta. Meu coração para! O que raios ele vai fazer?

A alma penada fica simplesmente fica parada atrás de mim. Não contente resolve apoiar os cotovelos na minha cadeira e ficar olhando pra minha tela.

Respiro fundo. Penso: “Pior que isto não pode ficar.”

Ahhh pode!!!

Ele resolve ficar balançando o cotovelo e de tabela minha cadeira entra na dança.

FILHO DA PUTA!!!

Bom, pelo menos não é arroto.

Pra que pensar? E tome um arroto de Curry na nuca!

FILHO DA PUTA!!!

Não existe mais esperanças. Coloco as mãos na cara, visivelmente transtornado, mas o dragão indiano não percebe. Não entende porque estou tão exausto.

Meu dia de trabalho jogado no lixo.

Foi um dia de merda, foi um dia de curry.